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Confesso que sou fã recente de Elza Soares. Pra falar a verdade, desde o ano passado. Então, recentíssimo, já que ela tem mais de 60 anos de carreira. É claro que eu já a conhecia. Sabia que tinha saído do morro, revelada em um programa de rádio, dona de uma voz rara e potente, fugiu da miséria, fez sucesso, casou com Garrincha, morou na Itália e tal…

Eu conhecia parte da história da Elza, mas, em 2018, eu conheci a própria Elza. Não pessoalmente (ainda!), mas através do Deus é mulher. De cara, na primeira faixa, a garganta rasgada surge com tambores anunciando que Mil nações moldaram minha cara. Minha voz uso pra dizer o que se cala. O meu país é meu lugar de fala.

Depois dessa, não deu pra parar. Escutei tudo do começo ao fim. Sem parar. Tentando entender como uma senhora (Sim! Com idade para ser minha vozinha!), estava produzindo um trabalho tão atual.

O disco apresenta a africanidade, o protesto, a sexualidade, o empoderamento, as dúvidas, a luta e até o romantismo que compõem o mosaico de mulheres que formam Elza Soares. Aliás, é até correto dizer que não estamos falando de uma só pessoa, mas, sim, de Elzas. Isso só ficou mais claro pra mim no mês passado. 

Em outubro, esteve em Fortaleza o musical “Elza”. Claro que fui! No palco, várias atrizes se revesam na personagem principal. Ao todo, sete mulheres para fazer uma Elza. E claro que os conflitos (internos, externos e sociais) não ficaram de fora do espetáculo, que tem momentos marcantes como A carne mais barata do mercado ERA a carne negra e Sobreviver é um ato político.

Resumindo, a dica do tio é: Ouça Deus é Mulher e já enganche com o novo trabalho dela Planeta Fome. Destaque para a regravação de Comportamento Geral do Gonzaguinha. E, se o musical passar pela sua cidade, não perca. ;)
 

 


Antino Silva é sócio da Printerama e
feito da carne que ERA a mais barata do mercado.