Tudo começou em 2012. Eu estava de boa no trabalho quando meu chefe chegou e disse:

- Assisti a um filme muito bom ontem.
- Qual?
- As Aventuras de Pi.
- Sobre o que é?
- Eu não disse que é bom? Vai lá e depois me fala o que achou.

Escrito assim pode parecer meio bruto, mas não foi. Tanto que aceitei o conselho e fui ao cinema só com o nome do filme. Não sabia o gênero, os atores, a direção e nem mesmo uma pontinha da sinopse. E, sem dúvida, foi uma das melhores experiências cinematográficas da minha vida (Calma, senhor!).

Como não tinha ideia do que veria, fui degustando cada pedacinho sem saber direito o que esperar. O filme já estava excelente pra mim muito antes do seu “ápice”. No caso de As Aventuras de Pi, o naufrágio do navio. Quando isso aconteceu, foi extremamente inesperado, impactante e emocionante.

Chegando em casa, googlei o nome do filme e me deparei com a seguinte sinopse: Após um naufrágio cataclísmico, um garoto indiano chamado Pi se vê à deriva num barco salva-vidas, tendo como acompanhante um feroz tigre-de-bengala. Juntos, eles enfrentam a grandeza majestática e a fúria da natureza em uma jornada épica de descobertas.

Ou seja, se eu tivesse dado só uma procuradinha, boa parte da minha experiência teria sido trocada pela expectativa de saber que o naufrágio aconteceria. Diversos momentos teriam passado batido. Como eu não sabia de nada, estive de mãos dadas com os personagens o filme todo e foi incrível. Aí, desde então, eu fujo como o diabo da cruz de sinopses e trailers.

Não vou dizer que é uma vida fácil. Exige uma série de contorcionismos e malabarismos sociais. No período de grandes estréias, tenho que ficar dias fora da internet. Interrompo pessoas que estão contando algo sobre um filme ou série que eu ainda não vi.

Familiares também sofrem. Você acha que é fácil para um garoto de 8 anos ver o pai fechar os olhos, tapar os ouvidos e cantar alto “Apenas Um Rapaz Latino-Americano” antes de “Vingadores: Ultimato” para não correr o risco de ver o trailer de “Homem-Aranha: Longe de Casa”? Vai precisar de terapia na certa!

Não vou dizer que o meu “jeito” é melhor do que o dos outros (Apesar de ser!). Mas, que tal experimentar? Da próxima vez que alguém lhe recomendar um filme ou série, só pergunte: “Você gostou?”. Se a resposta for positiva, assista sem saber de nada e veja o que acontece.

 

Antino Silva é sócio da Printerama, jornalista e capaz de assistir

a quatro filmes seguidos sem nenhum esforço.