Para Educar Crianças Feministas
Como pai que vê um desequilíbrio no tratamento dos gêneros, recomendo fortemente a leitura de “Para Educar Crianças Feministas – Um Manifesto” da Chimamanda.

Em uma palestra na TEDxEuston, em 2013, a escritora Chimamanda Adichie deu a sua definição pessoal de feminista. “É um homem ou uma mulher que diz: Sim, há um problema com os gêneros hoje, e nós devemos consertar isso. Devemos fazer melhor”. Gosto desse ponto de vista, pois mais pessoas podem se envolver na luta contra a desigualdade entre os gêneros.


É claro que, mesmo me considerando um homem feminista, não sou capaz de entender completamente (talvez nem um terço!) o que mulheres sofrem no dia-a-dia para se encaixarem em seus “papéis de gênero”. Da mesma forma que homens brancos nunca poderão sentir o que eu (homem negro) vivo no meu cotidiano. No entanto, se um branco entende que o preconceito contra os negros existe e precisa ser combatido, não vou deixar ele fora da luta. Se quer fazer parte da solução, tamojuntu!

Então, como pai que vê um desequilíbrio no tratamento dos gêneros, recomendo fortemente a leitura de “Para Educar Crianças Feministas – Um Manifesto” da Chimamanda. O livro é a versão de uma carta escrita para uma amiga que lhe perguntou como poderia ensinar sobre o feminismo para a filha. Acho que a amiga não estava esperando uma resposta tão longa. A autora enumera quinze sugestões que podem ajudar.

Não vou dar spoilers do livro, mas quero destacar a terceira sugestão: “Ensine a ela que ‘papéis de gênero’ são totalmente absurdos. Nunca lhe diga para fazer ou deixar de fazer alguma coisa ‘porque você é menina’. ‘Porque você é menina’ nunca é razão para nada. Jamais. […] Pais e mães inconscientemente começam muito cedo a ensinar às meninas como devem ser, que elas têm mais regras e menos espaço, e os meninos têm mais espaço e menos regras.”

Tenho dois filhos. Jonas, 8 anos, e Alice, 4. Georgea e eu nos vigiamos para não tratá-los de forma diferente por causa do gênero. Jonas lava louça, joga futebol e escova os dentes da irmã. Alice diz que luta como a Gamora, se veste de Mulher-Aranha e adora montar quebra-cabeça. Os dois jogam vídeo-game juntos, gostam de dançar, brigam pelo controle do Netflix e colocam os pratos na pia.

É claro que em vários assuntos lidamos com os dois de maneiras diferentes. Afinal, cada um é um indivíduo. Mas o Jonas não é dispensado das tarefas domésticas por ser menino e nem a Alice é proibida do vídeo-game por ser menina. Nunca pode ser pelo gênero. Jamais.

Isso garante que meus filhos serão pessoas iluminadas na luta pelo equilíbrio entre os gêneros? Não mesmo. O peso das tradições pode ser muito forte. A autora mesmo fala que “você pode fazer tudo o que eu disser e apesar disso ela pode sair muito diferente do que você queria, porque às vezes a vida é assim. O importante é tentar”.

“Ah! Mas eu não tenho filhos”, você diz. Leia o livro do mesmo jeito. As sugestões de Chimamanda podem ser colocadas em prática por todos. Aliás, só terão um efeito real se todos estiverem envolvidos. Já que as pressões sobre “o lugar da mulher” não são feitas somente pelos pais ou familiares. A sociedade de um modo geral tenta nos colocar em caixinhas. Por isso, todos precisam estar educados para o feminismo.

Enquanto você não lê o livro, pode assistir à palestra dela no Youtube. Sejamos todos feministas :)

    

 

Antino Silva é sócio da Printerama, jornalista e
unicórnio nas horas vagas.