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Para começar, uma confissão: vi um texto do Eduardo Galeano, no livro Fechado por Motivo de Futebol, que ele começa com o título "Por que escrevo". Achei isso muito bonito e quis fazer o meu. Não com a mesma magia, até porque, eu desenho. 

Assim como Galeano, eu também queria ser jogador de Futebol. Estava na rua pelo menos 3 vezes por semana jogando com os amigos. Depois isso evoluiu para quadras, campinhos de areia e ficou por isso mesmo. Não era pra mim e isso era claro. O futebol me acompanharia pelo resto da vida, ele lá e eu aqui, fora das quatro linhas. 

Então eu procurei outra coisa pra fazer e hoje eu desenho. 

Desenho, primeiro, porque gosto. 

Depois desenho porque foi a melhor forma que encontrei para me comunicar com o mundo. E quando eu digo mundo, eu falo do mundo mesmo. No lugar mais longe, na montanha mais alta, no idioma mais difícil, eu desenho e me comunico.

 Desenho porque, mesmo por muitas vezes tentando a perfeição, aprendi que o erro está sempre aí e que ele é maravilhoso. Desenho porque aprendi a desenhar ordinariamente e isso foi libertador.

Desenho porque posso ser um guerrilheiro lutando pelas causas que acredito e com esses desenhos encontro pessoas que acreditam e lutam por essas mesmas causas.⠀⠀

Desenho porque desenhar é primitivo e continuo desenhando porque é revolucionário. 

Desenho porque isso me coloca, de certa forma, na mesma categoria de um monte de gente que desenha e que eu admiro. Desenho porque me sinto um deles.

E em definitivo, resumindo, diria que desenho porque não pude ser um jogador de futebol.⠀⠀

 

Téo Brito é sócio da Printerama, designer, VJ da MtéoV e contra o futebol moderno.
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